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Falling - Harry Styles


O céu estava nublado escondendo as estrelas que ali deviam estar brilhando, talvez até elas estivessem deprimidas ao ponto de não estarem a fim de brilhar essa noite, talvez elas compartilhavam da mesma dor que eu

Olho para os edifícios com suas luzes acessas e me pergunto se havia mais alguém que sentia o mesmo que eu. Eu poderia arriscar que não, minha dor estava cada vez maior, e ver a mala feita no canto do quarto, somado a dose de uísque em minha mão, definitivamente não ajudava em nada

Caminho vagarosamente pelo quarto e as lembranças insistiam em me perseguir e me machucar, tantos momentos maravilhosos que compartilhamos foram simplesmente destruídos no momento que as palavras que eu não devia ter dito saíram da minha boca, foi nessa hora que eu soube que depois disso, eu a tinha perdido.

A cama estava cheia de papeis rabiscados, com músicas pela metade, mas todas remetiam a minha única grande inspiração, e ela não estava aqui. E quem eu poderia culpar, se não a mim mesmo e a bebida que eu segurava em minhas mãos?

“Harry a gente precisamos conversar. ” sua voz soava continuamente em minha cabeça, me levando de volta ao momento que tudo desmoronou.

“Paige, agora não”

“Agora sim! Harry, me escuta, a dias que eu não te conheço mais. Já não basta o tempo que ficamos separados quando você está em turnê, e quando você está aqui prefere sair com seus amigos. Eu entendo que temos que ter um tempo só para gente e que sair com os amigos é importante, mas você está levando isso a sério demais, a gente quase não se vê, e olha que moramos na mesma casa. As vezes parece que você nem me ama mais” – eu devia ter percebido que ela estava chateada, eu devia ter pedido desculpas, eu devia ter feito qualquer coisa, menos ter dito aquilo.

“Às vezes eu me pergunto se realmente continuo te amando” falei meio enrolado por conta da bebida, mas não o bastante porque ela pareceu entender, porque engoliu em seco e pareceu se segurar para não chorar.

“Então porque continua comigo, se não me ama mais? ”

“Eu não disse que não amava, mas que eu não tinha certeza se continuo te amando” falei bravo, mais alto que deveria “Você espera coisas de mim que provavelmente eu nunca vou conseguir te dar” acuso-a.

“E o que você acha que eu espero de você, Harry? Eu só estou pedindo para você ficar um pouco mais em casa, logo você volta para a turnê e vamos ficar meses sem nos ver, eu só quero passar mais tempo com você, mas se para você isso é pedir muito, eu não sei porque ainda estamos juntos.”

“Eu também não sei” afirmei. Seu olhar naquele momento me mostrava que minhas palavras tinham sido como uma faca enfiada em seu coração, fazendo-a não se segurar mais e deixando suas lágrimas escorrerem por seu rosto. Só a recordação daquela cena fazia meu corpo todo tremer. Eu era um estupido.

Viro o copo de uma vez, deixando que o liquido desce-se queimando por minha garganta, me deitando na cama de qualquer jeito logo em seguida. O travesseiro ainda tinha seu cheiro, e isso não ajudava em nada. Principalmente porque eu sabia que não demoraria para ele desaparecesse e quando isso acontecesse, não sobraria nada dela nessa casa, somente as lembranças que insistiam em me atormentar.

O relógio marcava que se passava um pouco mais das quatro da manhã, a madrugada era insuportavelmente fria sem tê-la por perto. Porque eu tinha que ser tão estupido ao ponto de deixa-la partir?

“Então eu farei um favor para você, Harry, acabou” foi com essas palavras que eu soube que ela não voltaria mais. Porque voltaria? Eu tinha ferrado com tudo, não tinha dado o valor que ela merecia, então era justo que eu ficasse sozinho, mas a minha própria companhia me fazia mal, talvez por eu ter a certeza, tardiamente, que eu não queria ser esse cara que estava sendo agora, que definitivamente eu era uma companhia que muito provavelmente eu não queria ter por perto.

As lembranças continuavam a me atormentar, que nem percebi quando a escuridão da noite se foi e os raios de sol entravam calmamente pelo quarto, alcançando a beirada da cama, como se me mandassem levantar.

Meu corpo e minha cabeça doíam no momento em que eu me levantei, nada de novidade, já que eu não havia conseguido dormir. Era um pouco mais de sete horas, quando caminho lentamente ao banheiro e deixo a água cair por meu corpo, na tentativa falha que ela levasse embora todas as minhas dores, tanto físicas como emocionais, mas parecia impossível que isso pudesse acontecer, não só agora, mas algum dia.

O caminho até a Cafeteria Beachwood parecia maior do que realmente era, seu interior que antes me trazia uma sensação boa, hoje me deixava ainda mais abalado. Era outro lugar que me fazia lembrar dela, o lugar que eu a conheci, sentada em um canto ao lado da janela, lendo um livro do Harry Potter.

“O que está achando da leitura?” perguntei casualmente enquanto esperava meu café ficar pronto. A garota de cabelos ruivos levantou seus lindos olhos azuis e sorriu para mim.

“Se levarmos em consideração que essa é minha terceira vez lendo esse livro, eu diria que eu sinto que já sei o que vai acontecer” ela brincou e eu sorri interessado.

“Posso te fazer companhia enquanto eu espero meu café ficar pronto?” lembro de perguntar.

“Claro” respondeu ela com um sorriso.

“À propósito, me chamo Harry e qual é o seu nome?”

“Paige Edwards” ela me diz estendendo sua mão, cumprimentando-me.

Hoje seria um dia diferente, seria até irônico se pensássemos que nosso início e nosso fim se daria no mesmo lugar.

-O que vai querer hoje, Harry? – o atendente diz com um sorriso.

-O mesmo de sempre Bobby – falo, sem a mesma alegria e disposição que ele transmitia.

-É para já – ele diz e eu assinto, caminhando até uma das mesas vazia. Não demora muito para que Paige chegasse, seu olhar cansado me dizia que ela havia dormido tanto quanto eu. Ela vai até o balcão, pede alguma coisa e se vira, me vendo pela primeira vez, ela dá um suspiro antes de caminhar em minha direção e se senta em minha frente.

-Eu sinto muito – falo com sinceridade, eu não esperava que ela me perdoasse ou dissesse que voltaria a ficar comigo, embora eu adoraria que isso fosse acontecer, mas no fundo eu queria que ela soubesse que eu estava arrependido.

-Eu também – ela diz em um sussurro.

-Eu senti sua falta – confesso e ela abaixa a cabeça.

-Só que agora é tarde demais – ela afirma e eu assinto.

-Eu sei – exclamo também de cabeça baixa. O atendente chega com nossas bebidas e sai, enquanto um silencio ensurdecedor reinava em nossa mesa, eram tantas coisas para serem ditas, que o fato de ninguém dizer nada estava tornando tudo ainda muito pior. Eu queria dizer que continuava amando-a, mas adiantaria de alguma coisa? Acreditava que não, não depois do estrago que eu tinha causado em nosso relacionamento.

Eu estendo as chaves da nossa casa, depois de tudo, eu achava que era o mínimo que eu podia fazer.

-Pode ficar com ela, eu vou morar em outro lugar.

-Não precisa, eu vou dividir um apartamento com uma amiga – ela diz gélida e eu assinto, recolhendo as chaves devagar.

Acabamos nossas bebidas em silencio, eu sentia que da sua parte não tinha mais nada para ser dito, embora tivesse tanta coisa que eu queria dizer, mas talvez meu orgulho não me permitisse.

-Eu vou buscar o resto das minhas coisas, depois disso, você estará livre de mim.

-Paige, eu sinto muito, de verdade, eu não devia ter falado aquelas coisas para você. Eu me arrependo de cada palavra, eu... quando você não estava lá, eu realmente percebi o quanto eu sinto sua falta e queria te ter comigo.

-Eu sei, e eu também senti sua falta – ela confessa já se levantando – Mas como eu disse, agora é tarde demais – e com essas palavras ela se afasta, me deixando ali, de coração partido, me sentindo o homem mais idiota do mundo por deixa-la partir para sempre. 

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